domingo, maio 29, 2005

Directo ao coração do Monstro

O monstro, criado por Cavaco Silva em 1989, com o novo sistema Retributivo da Função Pública, e apaparicado e engordado por António Guterres e Jorge Coelho entre 1995 e 2000, com enorme s aumentos da massa salarial e a entrada de milhares de pessoas para o Estado, está prestes a receber alguns tiros directos ao coração.
Na verdade, até hoje, nenhum político tinha tido a coragem de dizer, preto no branco, aquilo que já todos percebemos: no Estado social há injustiças e regalias inaceitáveis, que têm de acabar. E muito menos algum tinha tido a coragem de retirar dái as consequências, anunciando a vontade de aproximar a idade e os regimes de reforma e doença dos funcionário públicos ao regime batstante mais desfavorável dos outros trabalhadores. Quando se olha para as despesas públicas vê-se que as prestações sociais absorvem 17,9% do PIB e as despesas com pessoal 14,9%. Todas as outras despesas do Estado, incluindo as de investimento, representam menos de 5% do PIB, cada uma «per se», atingido 15,4% no total. A conclusão é evidente: a contenção da despesa pública impõe que se toque naquelas duas rubricas, embora a dimensão do problema exija que se actue também nas receitas.
Foi essa coragem que José Sócrates teve. Ainda por cima, o primeiro-ministro fez questão de acompanhar essas medidas duras de outras, com menor repercussão orçamental, mas altamente moralizadoras, como o fim do sigilo fiscal e bancário, congelamento dos salários dos administradores de empresas públicas, fim dos professores com horário zero e fim do regime especial de subvenções vitalícias dos titulares de cargos políticos.
Em 30 anos de democracia, nenhum político tinha tido a coragem de atacar os cancros do Estado desta forma. Resta saber se se passará do discurso á prática, porque as resistências serão mais que muitas. Mas Sócrates está no caminho certo e é disto que o país precisa.

1 Comments:

Blogger psac74 said...

Meu caro amigo,

Estou a ver que é adepto de tão grande coragem...
Pena é que o caso das subvenções fique adiado para 2009 e que o caso dos autarcas ainda não apnhe os que para foram, agora.

Mais: podem atacar toda a gente, continuar a aumentar impostos, mas enquanto não atacarem o verdadeiro àmago do Monstro, tudo o resto é treta. (Mira Amaral - 3.600 contos de reforma, em idade activa; Vasco Franco, ex-vereador de Lisboa do tempo do Sampaio - acumula cerca de 1000 contos em reformas públicas e mais algum à frente de uma empresa de cariz público; Teresa Zambujo - 600 contos com 52 anos e muitos, muitos mais e cada vez mais)

PS1 - Votei Sócrates, mas começo a achar que foi um verdadeiro embuste.
PS2 - não é "per se", mas "per si".

12:53 a.m.  

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