domingo, maio 22, 2005

Um Sporting Apenas Bom

Aconteceu o que se temia: em cinco dias, o Sporting perdeu as duas “finais” que poderiam tê-lo conduzido à glória. Ficou a meio caminho, perdendo-se no labirinto das suas ilusões e de alguns equívocos. Quem chegou ao ponto que o Sporting chegou, só pode classificar a época de fantasticamente... frustrante. Mesmo que em muitos momentos se julgasse pouco crível que o leão pudesse vir a estar tão perto do paraíso. Esteve, sim senhor, mas ficou à porta.Antes da final com o CSKA, Pedro Barbosa teve uma declaração lapidar: “O Sporting é uma boa equipa, mas vai ter de provar que é uma grande equipa, pois essas é que ganham os títulos”. Perdidas as duas “finais”, a conclusão, dura e crua, a que se chega é esta: o Sporting não é uma grande equipa. Por muito que custe aceitá-lo.Como não é a equipa, também não é o treinador. José Peseiro é um bom treinador. É o treinador que o Sporting tem condições para? ter. Limitado por um orçamento apertado, o clube leonino não pode ter no banco um grande nome do futebol europeu. Escolheu Peseiro. E dentro dos parâmetros e opções disponíveis, a escolha foi acertada. Com defeitos e virtudes, Peseiro contribuiu para o êxito do Sporting até a esta semana. Tal como contribuiu para o seu insucesso. Questões práticas. Na Luz: não deveria ter sido o jogo de Pinilla? E não seria também para Tello, decisivo em Braga e com o V. Guimarães? Que sentido fez colocar Douala no meio dos centrais encarnados? Não era fundamental marcar um golo para ficar a salvo do risco que acabou por ser fatal? Porquê três substituições em sete minutos ainda com 0-0? Com o CSKA: como se justifica abdicar do melhor médio de marcação (Custódio) quando havia Daniel Carvalho para anular? Porquê tentar provar que o Sporting podia vencer um jogo com Rogério logo no embate mais importante, não apenas da época mas dos últimos 40 anos da vida do clube? Não era previsível que ao fim de um tempo Enakarhire acusaria um mês sem competição, tal como Rogério? Não seria lógico o Sporting entrar para a 2ª parte a jogar como fez quase todo o tempo na Luz? E Viana a três minutos do fim?? O derby da Luz já foi dissecado ao pormenor e o resultado tornou a final de Alvalade como a última hipótese de o Sporting ganhar alguma coisa – e a Taça UEFA não era coisa pouca. Para o jogo com o CSKA, Peseiro decidiu fazer alterações cuja eficácia também já foi analisada e discutida. Num e noutro jogos, Peseiro e a equipa falharam. Houve muita circulação de bola, muito jogo ofensivo, coisas muito bonitas, faltou o resto. O cinismo, o instinto assassino, a antecipação do que vai acontecer, a leitura correcta dos acontecimentos para agir no momento certo. Não se viu isso no campo nem no banco. E é isso que decide jogos. É isso que ajuda a distinguir os bons dos grandes. E por muito que se diga que o Sporting joga o melhor futebol, já se sabe que o futebol eficaz é que ganha títulos. Com este final de época, o que parecia pacífico para a próxima coloca-se agora em causa. Deve Peseiro continuar? Como resposta, outra pergunta: haverá por cá muito melhor? Sem posses para poder contratar um treinador de “top” e sem nomes no mercado, sinceramente não vejo outro caminho. Para quê então mudar, entrando num comprometedor círculo vicioso de um treinador por época? Fica um conselho: investir na formação de um homem da casa, com carisma, mística e liderança, para ser uma opção para o futuro.