domingo, maio 29, 2005

A sorte que temos em ter Constâncio

É lamentável a campanha desenvolvida contra o governador do Banco de Portugal por ter aceite presidir a uma comissão que averiguou o défice ímplicito no OE 2005. Muitos dos que, agora o criticam são os mesmos que, em 2002, o aplaudiram quando aceitou presidir a uma comissão similar para avaliar o défice de 2001, imputável a um Governo socialista. Constâncio tem um enorme sentido de Estado, é de uma inultrapassável dedicação á causa pública, o seu rigor e conhecimentos técnicos são tão reconhecidos que foi convidado para vice-presidente do Banco Central Europeu. Se há algo que nos podemos orgulhar é do «nosso» Banco de Portugal e do «nosso» Governador. Por isso, quando alguma das críticas vêm de um especialista em segurança social, que chegou a Ministro das Finanças, ou de um ex-secretário de Estado do Orçamento que não deixou obra, o minimo que se pode dizer é que estamos em planos muito diferentes: Constâncio é galático, os outros dois dos escalões regionais. E num país com alguma visão estratégica, o Governador seria sucessivamente reconduzido até se querer reformar. Porque é de homens como Constâncio que o país precisa.

Directo ao coração do Monstro

O monstro, criado por Cavaco Silva em 1989, com o novo sistema Retributivo da Função Pública, e apaparicado e engordado por António Guterres e Jorge Coelho entre 1995 e 2000, com enorme s aumentos da massa salarial e a entrada de milhares de pessoas para o Estado, está prestes a receber alguns tiros directos ao coração.
Na verdade, até hoje, nenhum político tinha tido a coragem de dizer, preto no branco, aquilo que já todos percebemos: no Estado social há injustiças e regalias inaceitáveis, que têm de acabar. E muito menos algum tinha tido a coragem de retirar dái as consequências, anunciando a vontade de aproximar a idade e os regimes de reforma e doença dos funcionário públicos ao regime batstante mais desfavorável dos outros trabalhadores. Quando se olha para as despesas públicas vê-se que as prestações sociais absorvem 17,9% do PIB e as despesas com pessoal 14,9%. Todas as outras despesas do Estado, incluindo as de investimento, representam menos de 5% do PIB, cada uma «per se», atingido 15,4% no total. A conclusão é evidente: a contenção da despesa pública impõe que se toque naquelas duas rubricas, embora a dimensão do problema exija que se actue também nas receitas.
Foi essa coragem que José Sócrates teve. Ainda por cima, o primeiro-ministro fez questão de acompanhar essas medidas duras de outras, com menor repercussão orçamental, mas altamente moralizadoras, como o fim do sigilo fiscal e bancário, congelamento dos salários dos administradores de empresas públicas, fim dos professores com horário zero e fim do regime especial de subvenções vitalícias dos titulares de cargos políticos.
Em 30 anos de democracia, nenhum político tinha tido a coragem de atacar os cancros do Estado desta forma. Resta saber se se passará do discurso á prática, porque as resistências serão mais que muitas. Mas Sócrates está no caminho certo e é disto que o país precisa.

domingo, maio 22, 2005

Um Sporting Apenas Bom

Aconteceu o que se temia: em cinco dias, o Sporting perdeu as duas “finais” que poderiam tê-lo conduzido à glória. Ficou a meio caminho, perdendo-se no labirinto das suas ilusões e de alguns equívocos. Quem chegou ao ponto que o Sporting chegou, só pode classificar a época de fantasticamente... frustrante. Mesmo que em muitos momentos se julgasse pouco crível que o leão pudesse vir a estar tão perto do paraíso. Esteve, sim senhor, mas ficou à porta.Antes da final com o CSKA, Pedro Barbosa teve uma declaração lapidar: “O Sporting é uma boa equipa, mas vai ter de provar que é uma grande equipa, pois essas é que ganham os títulos”. Perdidas as duas “finais”, a conclusão, dura e crua, a que se chega é esta: o Sporting não é uma grande equipa. Por muito que custe aceitá-lo.Como não é a equipa, também não é o treinador. José Peseiro é um bom treinador. É o treinador que o Sporting tem condições para? ter. Limitado por um orçamento apertado, o clube leonino não pode ter no banco um grande nome do futebol europeu. Escolheu Peseiro. E dentro dos parâmetros e opções disponíveis, a escolha foi acertada. Com defeitos e virtudes, Peseiro contribuiu para o êxito do Sporting até a esta semana. Tal como contribuiu para o seu insucesso. Questões práticas. Na Luz: não deveria ter sido o jogo de Pinilla? E não seria também para Tello, decisivo em Braga e com o V. Guimarães? Que sentido fez colocar Douala no meio dos centrais encarnados? Não era fundamental marcar um golo para ficar a salvo do risco que acabou por ser fatal? Porquê três substituições em sete minutos ainda com 0-0? Com o CSKA: como se justifica abdicar do melhor médio de marcação (Custódio) quando havia Daniel Carvalho para anular? Porquê tentar provar que o Sporting podia vencer um jogo com Rogério logo no embate mais importante, não apenas da época mas dos últimos 40 anos da vida do clube? Não era previsível que ao fim de um tempo Enakarhire acusaria um mês sem competição, tal como Rogério? Não seria lógico o Sporting entrar para a 2ª parte a jogar como fez quase todo o tempo na Luz? E Viana a três minutos do fim?? O derby da Luz já foi dissecado ao pormenor e o resultado tornou a final de Alvalade como a última hipótese de o Sporting ganhar alguma coisa – e a Taça UEFA não era coisa pouca. Para o jogo com o CSKA, Peseiro decidiu fazer alterações cuja eficácia também já foi analisada e discutida. Num e noutro jogos, Peseiro e a equipa falharam. Houve muita circulação de bola, muito jogo ofensivo, coisas muito bonitas, faltou o resto. O cinismo, o instinto assassino, a antecipação do que vai acontecer, a leitura correcta dos acontecimentos para agir no momento certo. Não se viu isso no campo nem no banco. E é isso que decide jogos. É isso que ajuda a distinguir os bons dos grandes. E por muito que se diga que o Sporting joga o melhor futebol, já se sabe que o futebol eficaz é que ganha títulos. Com este final de época, o que parecia pacífico para a próxima coloca-se agora em causa. Deve Peseiro continuar? Como resposta, outra pergunta: haverá por cá muito melhor? Sem posses para poder contratar um treinador de “top” e sem nomes no mercado, sinceramente não vejo outro caminho. Para quê então mudar, entrando num comprometedor círculo vicioso de um treinador por época? Fica um conselho: investir na formação de um homem da casa, com carisma, mística e liderança, para ser uma opção para o futuro.

quinta-feira, maio 19, 2005

SPORTING - Destino Final

O Sporting volta hoje a disputar uma final europeia, 41 anos depois de ter conquistado a extinta Taça dos Vencedores das Taças. A carga simbólica deste momento é reforçada pelo facto de o jogo decisivo ter lugar no Alvalade XXI, palco escolhido pela UEFA em Fevereiro do ano passado.
Só os sportinguistas com 50 anos se recordarão do último e até hoje único momento em que o seu clube disputou uma final europeia. De 1964 restam as memórias de uma eliminatória histórica com o Manchester United, do canto do Moraise de uma taça que nenhum outro clube português conquistou. Tanto tempo depois, o destinou reservou aos leões uma feliz coincidência: a possibilidade de voltarem a disputar uma final europeia e no seu próprio estádio. A este encontro com a história, o Sporting não podia faltar. E não faltou.
Se 2004 foi uma ano mágico para o futebol português, com a vitória do FC Porto de José Mourinho na Liga dos Campeões e a realização do Campeonato da Europa a par da entusiasta e brilhante campanha da nossa Selecção Nacional, a presença do Sporting na final da Taça UEFA deste ano representa por si só um sinal de continuidade que tanto nos orgulha e mantém Portugal no topo do futebol Europeu.
A Taça UEFA foi um objectivo que o Sporting definiu no seu horizonte, mas que em boa verdade nunca se assumiu como prioritário e em muitos momentos foi inclusivamente considerado inatingivel. A verdade é que oito meses depois de o Sporting ter iniciado a sua campanha europeia com o Rapid em Alvalde, viu o sonho transformar-se em realidade e é no seu estádio que a grande aventura vai terminar, precisamente no dia da final. Deseja-se naturalmente que termine em glória. É o que falta.

FORÇA GRANDE SPORTING

quarta-feira, maio 18, 2005

Início de uma nova Era

Este Blog foi criado no sentido de dar oportunidade aquele pessoal, que como eu não têm cunhas para entrar nos grandes centros da nossa sociedade, para se dar a conhecer tanto pessoalmente como pelos trabalhos que realiza. É uma forma de me dar a conhecer e se houver casos como eu poderem também contribuir para este blog.
Espero que sejam muitos os que visitam e que daqui a algum tempo este blog tenha contribuido para alguma coisa. Se isso acontecer, por mais minima que seja, eu posso considerar que valeu a pena.
Este Blog também servirá para poder dar a minha opinião sobre os mais variados temas da sociedade em que vivemos.